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DIVAGAÇÕES A RESPEITO DE GATOS SIAMESES E LAÇOS FAMILIARES - 20/05/2008 |
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“No caso de Astier, a barra é mais pesada, porque ele canta e é filho de
cantador, sobrinho de cordelista de verdade. Não é o intelectual que escreve
cordel, e ainda o vende, tomando o lugar do profissional que sobrevive com a
família vendendo seus produtos literários”.
Entrevista de Esio Rafael, concedida ao site www.interpoética.com
Confesso a vocês que um dos meus sonhos é tornar-me analfabeto, como o foi
Pinto do Monteiro.
Vai demorar um pouco, mas um dia eu chego lá…
O epíteto a que eu nunca chegarei, é ser considerado Mestre, a não ser que me
apelidem de Mestre de Obras, a nobre profissão de meu pai, Seu Evilázio, que já
viajou pro lugar onde se encontram Alberto da Cunha Melo, Jó Patriota, Zé
Vicente, Leandro Gomes de Barros, Patativa do Assaré, Câmara Cascudo, Leonardo
Mota, Bernardo Alves e o Gordo, além de muitos outros mais.
Eterno aprendiz, não sou daqueles indivíduos que adquirem conhecimento
especializado sobre determinadas áreas do conhecimento humano, nem nunca serei
capaz de dar aula a qualquer pupilo. Mestrado, nunca defenderei, mesmo porque a
condição elementar para aquele, é ter freqüentado a gloriosa Universidade.
Costumo dizer que o pouco que sei, são perduricalhos aprendidos aqui, ali e alhures.
Ontem à noite, Mestre Evilázio veio me visitar.
E me contou de Cantorias divinas e Recitais poéticos maravilhosos que acontecem
no Reino do Não Dormir. Enquanto as Cantorias são feitas na bodega de São
Pedro, as leituras de Cordéis, via de regra, ocupam a sala de Maria Concebida
Sem Pecado.
Diz-me ele, conciliador como poucos, que tenta juntar os dois Eventos. E não
consegue.
Falam os mensageiros das duas Manifestações, de irreconciliáveis conceitos e de
divergências históricas. E não se juntam…E ficam possessos quando tentam, pelo
menos, apelidá-los de primos…
Além de conciliador, Mestre Evilázio também é muito observador.
Falou-me ele de recente reunião ocorrida naquele Reino, para divagações a
respeito de diversos assuntos ligados á área da cultura. Sob a inebriante
fumaça de charutos.
Acha ele que eram cubanos. Pois todo intelectual que se preza, não dispensa
aqueles…
Pelo que falou Mestre Evilázio, um dos assuntos tratados na celebre reunião,
girou sobre quem faz Cordel, quando um dos presentes defendeu o conceito de que
aquela Manifestação é privativa de quem é pobre, lascado e fudido. A não ser
que o remediado seja filho de Cantador de Viola, sobrinho de Cordelista e seja
Jornalista. Porque aí o buraco é mais embaixo…Se é que a expressão quer dizer
alguma coisa.
Perguntei a Mestre Evilázio quem eram os presentes á reunião. E ele falou-me de
Jornalistas, Pesquisadores, Poetas e Poetisas. E declinou o nome de cada um…
Identifiquei entre os nomes citados, a maioria meus amigos, que além de
doutores, pesquisadores, jornalistas e pessoas preocupadas com os caminhos /
descaminhos da cultura, alguns deles, são também…Cordelistas. Fazem e vendem
Cordéis. Num outro patamar do Deus Mercado. Mas fazem e vendem…
Não me falou Mestre Evilázio da ocorrência de qualquer saia justa na reunião.
Acha Mestre Evilázio que qualquer Manifestação – fazer Cordel, por exemplo -
possa ser praticada por qualquer um. Desde que se entenda, evidentemente, que
para o exercício de fazer Cordel, é necessário o uso do intelecto. Como o usava
Leandro, José Pacheco para ficar nos que já foram. Ou Marcus Accioly, para
citar um dos que ainda estão no meio de nós…
Entendem vocês agora porque a minha luta em me tornar tão analfabeto quanto
Pinto do Monteiro que, ouso dizer, era um intelectual?
Intelectual – (pessoa que usa o intelecto para estudar, refletir e especular
acerca de idéias) se for um remediado – fazer Cordel? Nem pensar, conforme o
prejulgamento de quem expôs tão estapafúrdio conceito.
Fazer Cordel, pensa aquele, é atividade nobre e só ao intelectual pobre foi
dado o sacrossanto direito de exercitar-se no mister.
E quando o intelectual – o remediado – tenta abrir caminhos para o que
intelectual – o pobre – conte com um espaço e um processo á disposição de
todos, para que as obras e os produtos dos intelectuais pobres cheguem ao
público, talvez seja este o seu maior pecado.
Acho que a carapuça me cabe. Gostem ou não gostem do que digo:
Faço alguns cordéis. Vendo cordéis. E abro espaço e negócio para que
Cordelistas, Amoladores de Tesouras, Poetas Repentistas, o escambau, contem com
a minha humilde missão de aproximar o publico da verdadeira arte do meu povo.
Independentemente da classe social deste povo.
Essa divisão de classes é de lascar.
Inventaram a Cultura Popular. Depois a Erudita. E agora chegam ao cúmulo de
separar também os intelectuais, conforme suas posses…
Intelectual não é mais reconhecido pelo saber. E aqui não estou falando de
bundas sentadas em cadeiras de Universidades.
Agora, o é pelo vinho que toma.
Ou pela cachaça de Santo Amaro das Salinas, fruto dos canaviais, como dizia Zé
Vicente, recentemente falecido. Se é que me entendem…
Se não beber aquele e não degustar a outra, tá lascado. Fumar, só se for
charuto…
Aconselhou-me Mestre Evilázio a criar um novo Movimento. O PSP. Palestrantes
Sem Pagamento.
Eu crio e fico de fora. Deve aparecer muita gente para proferir essas palestras…
A água morna do Recife, está fazendo mal a muita gente. É preciso que ponhamos
no fundo do seu mar, algum iceberg. Ou o fogo do inferno. O que não pode
continuar é do jeito que está. Tu falas bem de mim, que a gente se ajeita.
Toma um bom vinho ou uma cachaça. E fumamos um charuto. Que ninguém é de ferro…
O danado mesmo é que nós, da Livraria Expressa, estamos programando uma série
de cursos destinadas ás Escolas. Publicas e Privadas. As existentes em Boa
Viagem e Casa Forte e outras do Ibura de Baixo e do Caçote.
Nome do Curso? CORDEL, O QUE É E COMO SE FAZ…
Por favor me ajudem…A quem devo pedir a permissão para que os Cordéis que forem
feitos possam ser vendidos? Não só aqueles feitos pelos filhinhos da Classe A,
como também aqueles feitos pelos filhinhos da Classe Z? Posso incluir algum dos
meus?
Quanto aos Cordelistas propriamente ditos, nosso endereço: Rua das Creoulas, 322
– Primeiro Andar – Sala 04 – Graças – Recife-PE – CEP 52011-270 – Tel. 81-
32315050.
Os caminhos começam a se abrir para a Nau Catarineta. Ainda restam algumas
vagas.
E não vamos perguntar se você freqüenta o Restaurante Fasano de São Paulo ou a
loca de Comadre Zabé, ali na Prata-PB… |
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PERNAMBUCO NÃO ENTENDE DE BALANÇO DE TOYOTA - 28/05/2008 |
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Na maioria das vezes, fica difícil de entender a tomada de posições de
burocratas que infestam os gabinetes oficiais. De todos os níveis.
Recentemente, o Governo do Estado de Pernambuco adotou a esdrúxula posição de
proibir a entrada de Toyotas, na cidade do Recife. E olhe que elas ficavam ali,
no inicio da Av.Caxangá, na entrada do vizinho municipio de Camaragibe.
Não sei porque, mas algo me diz que nesse mato tem outros coelhos, que passam e
passeiam em outros gabinetes, mais precisamente os alcatifados e refrigerados
escritórios dos empresários que exploram o transporte coletivo – ônibus – desse
antigo e velho Leão do Norte.
É evidente que sabem que essa proibição atinge um incalculável numero de
cidadãos e famílias, mais precisamente aqueles e aquelas do Agreste do Estado,
onde, o transporte coletivo utilizando esses veículos alongados, é a única
opção do ir e vir, á disposição dos hoje abandonados passageiros.
Acho até que dá pra criar um novo MST – Movimento dos Sem Toyotas. Até o nome é
bonito para uma ONG.
A estapafúrdia proibição atinge diretamente cerca de 3.000 (três mil)
proprietários de Toyotas e, indiretamente, a população de 19 (dezenove)
municípios do Estado e mais 02 (dois) da vizinha Paraíba, conforme informações
da Associação de Toyoteiros Regional de Pernambuco. Isto se considerarmos
apenas o Agreste do Estado.
Municípios como Surubim, João Alfredo, Santa Cruz do Capibaribe, Brejo da Madre
de Deus, Bom Jardim, Caruaru e Casinhas, são os mais prejudicados, conforme
matéria veiculada no Jornal do Comércio, em 11.05.2008.
Sabem também que o preço da passagem desses veículos, é infinitamente inferior
àquele praticado pelos ônibus.
Aguardem, para breve, o lançamento do Cordel NO BALANÇO DA TOYOTA, do meu amigo
Evaldo Araújo, edição da LIVRARIA EXPRESSA, onde o poeta retrata com absoluta
fidelidade, uma viagem nesse meio de transporte, que vai desaparecer,
como desapareceram os Mistos da minha infância.
Quem já sentiu o balançar desses imprescindíveis equipamentos, sabe do que eu
estou falando. Aguardem o Cordel. Leiam.
Recomendo também aos burocratas. Pode até ser que eles revejam suas posições e
liberem a entrada das toyotas nessa malvada Recife. |
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GOSTAS DE CALCINHA PRETA? - 14/05/2008 |
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Eu, particularmente, as admiro. Inclusive como fetiche.
Recebi esta semana, um endel do meu amigo Paulo Carvalho, repassando texto do
José Teles, articulista do JComércio, onde aquele critico musical também se
posiciona a respeito da degradação musical que assola o Brasil.
Em todos os seus recantos, mas, com ênfase maior, no que antes foi o sertão.
Todos, inclusive aquele que passa pelo estado de espírito…
Muitas pessoas já começaram a se posicionar a respeito de tão malfadado tema.
Anselmo Alves, cineasta aqui da terrinha, em artigo para o também JComércio,
foi enfático e cangaceiro a tratar do assunto, com seu texto Eu quero o meu
Sertão de Volta, que o Projeto Cordel no Meio do Mundo estará lançando no
próximo dia 20.05.2008, ás 19 hs (com excepcionais colaborações dos escritores
João Lobato, José Mario Austregésilo e da poetisa Leda Dias), junto com mais
nove títulos editados pela Livraria Expressa e pela Fábrica de Livro.
José Neumanne, amigo e jornalista paraibano radicado em São Paulo, escreveu um
artigo que recomendo a todos: A peleja do trio pé de serra contra o forró
eletrônico.
Eu sou homem que anda bastante por periferias, bairros e arrabaldes das
cidades.
Esta semana, conheci a Escola Publica Estadual, a Cícero Dias, localizada no
fino e elegante bairro de Boa Viagem, em Recife-PE.
Fiquei abismado com o que vi. Confesso aos meus 101 leitores (daqui a pouco eu
chego aos 102) que pensei estar num daqueles países onde a educação de nossas
crianças, jovens e adolescentes, é o pressuposto maior para que se alcance a
cidadania e a dignidade.
Ótima manhã, onde fui recebido pela Sueli e pela Daniele, a quem expus as
nossas idéias a respeito de cultura, meio ambiente e hortas familiares.
Confessaram-me elas que a saída pra se chegar ao paraíso, passa por parcerias…
Toda minha formação, se é que tenho alguma, é de escola pública, e sou quase
tão analfabeto quanto Pinto do Monteiro, se é que me entendem…
Na minha vida aprendi que a omissão foi, é, e sempre será, o maior dos pecados.
Já que a maioria dos municípios brasileiros não adota a cívica atitude que se
observa ali bem pertinho em Bezerros-PE, que proibiu – com decreto municipal e
tudo – a presença das nefastas bandas em eventos patrocinados por aquela
edilidade, que cada cidadão, faça de sua alpercata e de seu chapéu, os meios de
transporte para chegar junto de quem está a merecer – com urgência – a presença
de quem entende de trilhas, veredas e caminhos.
Ou fiquem encastelados em suas casas, apartamentos e mansões. Presos para
sempre…E depois não venham culpar os governos.
Outra opção é votar em quem se posicionar contra a degradação dos costumes, da
educação e das tradições. Inclusive a musical.
E o que aquelas bandas tocam, é música?
Aos poetas e compositores, um recado final: Dize-me com quem andas e te direi
quem és…
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PALAVRAS AO VENTO… - 07/05/2008 |
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Junte as pedras do caminho
Seu castelo vá fazendo…
O Vento vai escrevendo
Tempo é o pergaminho…
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HOMEM DO INFINITO - 01/05/2008 |
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Sê homem de vastidão
Do infinito dos mares
De longo alcance os olhares
De horizonte sertão
E dá sempre a tua mão
Pra quem na vida é descrente
E leva na tua mente
Do mundo a compreensão
Abriga em tua razão
A quem pensa diferente! |
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